sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Bem Acordados- Capitulo 46



NOME DO CAPITULO: Marzipã Sutilmente Profanado

APOV

Eu estava de pé, olhando para o quarto que tinha sido um santuário perfeito. Estava quente e convidativo e oferecia cada pedaço de conforto que eu poderia ter desejado. Agora era só destruição. Os buracos nas paredes e os lençóis rasgados e o rosto do sofá  deitado no chão, já não era convidativo.

Profanação.

Meu estômago estava agitado e cada centímetro do meu corpo abaixo da minha cintura doía e latejava, quando eu comecei a procurar minhas roupas pelo chão. Puxei-as às pressas e, lentamente, encolhendo-me de dor quando eu abotoei meu jeans e forcei para baixo a bile subindo na minha garganta pelo que acabara de acontecer.

Justin estava errado o tempo todo. Ele não era o monstro. Eu era.

Algo aconteceu comigo quando Justin teve a intenção de me ferir - mesmo que apenas verbalmente – o que me deu algum tipo de abuso de poder doentio. Na hora, nunca realmente me ocorreu o quão errado era, porque me senti tão bem por finalmente estar... no controle. Era absolutamente repugnante como isso me fez sentir estranhamente inocentada, como se eu estivesse lutando com uma desculpa terrível para um ser humano assim como Justin.

Eu me empolguei a partir do segundo tapa quando eu o ouvi pedir mais, o tempo todo me acusando de ser uma louca.

Ah, eu estava definitivamente louca.

E então eu estava determinada a provar que eu poderia seguir completamente sendo a garota normal que eu sempre soube que ele merecia, porque mesmo que ele estivesse errado em dizer que eu não podia, ele estava certo, ao mesmo tempo. Foi o pior momento para provar isso a mim mesma, mas era a melhor oportunidade no momento. Adrenalina e confiança percorriam o meu corpo quando eu me despojei e disse a mim mesma: "Eu vou lhe mostrar". Isso tinha sido arrogante.

Ele resistiu, e a confiança gloriosa que tinha sido intoxicante tinha falhado, fazendo a minha raiva crescer. E a raiva tinha acendido o poder da loucura quando ele me disse... que eu poderia contra-atacar, e ele não iria me machucar. Eu sabia que podia bater nele, e ele nunca iria me bater de volta porque ele me amava. Eu usei o seu amor por mim contra ele... com o propósito de feri-lo. Isso era tão desprezível que eu senti o vômito subindo na minha garganta quando recordei como eu ainda consegui quebrar a sua determinação.

Foi a pior das piores coisas. Eu sabia que essa era a única coisa que poderia acender a paixão em seus olhos novamente por mim. Essa constatação me deixou incrivelmente mais decidida, quando eu encontrei seu olhar e sorri involuntariamente, incapaz de esconder a minha própria presunção sobre a genialidade da idéia. Eu sabia que ele não seria capaz de resistir, se eu ameaçasse o deixar: mais uma vez, usando seu amor por mim contra ele.

Eu era realmente má.

E isso havia funcionado. Tudo correu como planejado, e eu lhe permiti dominar-me enquanto secretamente... Eu estava dominando ele.

Eu me perguntava se era assim que Justin se sentia quando ele me tratou da mesma forma atrás da escola, no dia em que eu implorei para ele não sair da casa de Bruce, e eu lhe permiti dominar-me contra a parede de tijolos. Eu me perguntei se ele se sentia doente e desgostoso com isso. Eu me perguntei se ele questionou a presença de sua alma. Será que ele odiava a si mesmo desse jeito? Ele provavelmente odiava, e era minha culpa tê-lo incentivado.

Ele havia me dito repetidas vezes que eu era sua garota. "Minha". Ele rosnou em minha face, espalmando meus seios enquanto suas mãos tremiam e seus dedos cavavam fundo em minha carne. Seus dedos tinham ferido quando cavavam mais fundo e seus olhos ficaram frenéticos e frios, mas a dor eu poderia aguentar. O desespero na voz dele quando ele me disse que eu era sua... isso foi a coisa mais insuportável de todas. Seu tom fez a dor nascer abruptamente no meu peito, quebrando momentaneamente a viagem poderosa de adrenalina por tempo suficiente para eu perceber que eu nunca poderia permitir que ele acreditasse em algo diferente. Então, eu lhe disse que era sua, porque eu sempre seria. Não importava como.

Eu cuidadosamente me aproximei do seu banheiro, pisando sobre as roupas e os papéis espalhados no tapete e pisquei as lágrimas enquanto minhas mãos trêmulas procuravam por uma toalha de mão embaixo da pia. Elas começaram a cair quando eu abri a torneira e enxarquei a toalha com vapor de água quente. Enquanto eu assistia a ascensão do vapor, conduzi o olhar para o espelho na minha frente, forcei um suspiro seco do meu abdômen, quase jogando o meu corpo em cima da pia enquanto eu lutava para engoli-lo. Além das lágrimas e dos lábios inchados, eu estava visivelmente ilesa. Como isso era justo? Teria feito eu me sentir melhor se eu tivesse possuído algo tangível e óbvio de usar como um sinal vermelho intermitente que dizia claramente: "Eu fiz uma coisa horrível para merecer isso, aqui mesmo."

Mas não havia nada aparecendo em mim, além da palidez e pânico e nojo absoluto.

Era estranho como eu me senti tão orgulhosa no momento, antecipando muito a coisa toda, na verdade. A emoção da minha coragem e determinação tinha me feito continuar, mesmo quando Justin não conseguiu colocar o preservativo.

Eu me lembro o que ele disse quando ele virou e se sentou na cama, para chegar a minha cintura para puxar-me ao seu colo: "Mostre-me que você quer", ele ordenou, agarrando minhas coxas e me puxando para mais perto enquanto seus olhos estavam focados em meus lábios com um sorriso. Porque, claro, eu queria, e mesmo que eu não tivesse idéia do que estava fazendo, eu tinha lhe mostrado da melhor maneira que eu sabia. Eu mesma coloquei a camisinha. Eu tinha visto ele fazer isso na última noite que tínhamos dormido juntos e estava bastante certa de que a ação iria deixar claro que eu era uma participante voluntária. Eu imaginei que iria diminuir sua culpa provável após o fato.

Então, quando eu levantei-me e me preparei para o próximo desafio, com a boca aberta mais uma vez. "Isto", começou ele, ainda olhando de uma forma diferente para meus lábios. "Isso é como é se sentir completamente fodida." Sua voz tensa havia demonstrado uma pontada estranha de tristeza misturada com raiva, mas suas palavras haviam me animado ainda mais, provocando um gemido quando eu tinha colocado os meus lábios em seu pescoço. Então, ele tinha me empurrado para baixo em cima dele.

Tinha sido um tipo diferente de dor para a dor que eu sentia em meus quadris. Essa estava dentro de mim e queimava e o pânico invadiu meu peito, quando eu engasguei e cerrei meus olhos fechados, era inevitável, mas eu apertei meus joelhos ao redor de sua cintura, lutando contra o pânico e tentando respirar de forma constante quando ele começou a balançar os quadris e gemeu em meu pescoço. Em qualquer outra circunstância, isso teria sido excitante. Sua língua tinha saído, lambendo-me de um modo estranho, até que, de repente, ele começou a beijar a minha pele, quase doce, uma mudança completa de sua conduta. "Por favor, não ouse dizer isso", pediu em um sussurro estrangulado em meu pescoço entre beijos, ainda movendo seus quadris enquanto seus braços aperetavam minha carne. Seu apelo tinha congelado minha resolução enquanto eu continuava a respirar em sua pele, forçando-me a me tranquilizar com imagens mentais de momentos de calma.

Era muito irônico que a maioria envolvia o próprio Justin.

Quando eu já não podia sentir o pânico e a dor tinha começado a diminuir, eu levantei meu rosto e me senti vitoriosa quando eu me movi de encontro a ele sem nenhum problema.

Esse não era o caso agora, enquanto eu estava em cima da pia, até que tive certeza de que eu poderia abandonar a proximidade do banheiro sem vomitar no chão. Afastei-me do espelho e olhei para fora da porta aberta para a varanda. Com um profundo suspiro trêmulo na tentativa de conter minhas lágrimas, eu andei até onde eu sabia que ele estava.

Não foi como eu imaginava que a nossa primeira vez de verdade seria. Não foi como eu imaginava que qualquer tipo de sexo fosse. Tinha sido rápido e frenético, e suas mãos tinham me machucado. Não tinha havido declarações de amor, sussurros de devoção, ou gestos afetuosos. Não tinha havido promessas ou carinhos. Não tinha havido unicórnios ridículos ou estúpidos arco-íris dos fodidos conto de fadas.

Tinha sido ganância pura.

A pior parte de tudo isso era... Eu gostei tanto que eu nunca tinha sequer percebido o que estava acontecendo. Não tinha sido o sexo que me estimulou, fazendo possível manter a calma. Na verdade, o sexo tinha sido pouco agradável para mim em tudo. Ele não pareceu como no dia no prado ou o dia dos namorados, ou mesmo a primeira vez que tínhamos tentado. Ele foi apressado, avarento, e egoísta, e eu adorava o fato de que ele tinha gozado e curtido o meu corpo. Essa tinha sido a única coisa que tinha sido agradável para mim. Ver que ele precisava de mim tanto que ele finalmente deixou sua fachada de perfeito controle colapsar e estranhamente validar. Eu me senti poderosa, uma vez mais, e o mordi mais forte porque eu sabia que ele gostava, e eu queria que ele gostasse. Eu pude provar o sangue na minha boca, mas o movimento de nossos corpos havia me distraido o suficiente do gosto do líquido acobreado, e não tinha me deixado ser afetada. Eu tinha me sentido tão realizada.

Eu era uma completa imbecil.

Neste momento, enquanto eu andava cautelosamente em direção às portas varanda, eu não poderia nem mesmo saber se ele tinha... terminado. Eu imaginei que ele tinha, mas depois ele começou a chorar no meu ombro com soluços profundos e agonizantes que nos fizeram tremer. Minha confiança e capacitação desmoronaram e dissiparam sob o som de sua angústia. No entanto, eu não tinha idéia do que o estava angustiando.

Um milhão de pensamentos já tinha corrido em minha mente enquanto eu lutava para erguer o rosto para cima, mas não funcionou, e eu tinha ficado um pouco em pânico quando ele balançou o corpo para trás e para frente, seus gritos nunca cessaram.

Eu argumentei que a causa de tudo isso... tudo... deve ter sido a falta de sono. Se ele tivesse só dormido um pouco, mesmo que apenas um par de horas, eu sabia que ele se sentiria muito melhor.

Até que eu vi seu rosto.

A leve brisa varreu meu cabelo quando eu cheguei à porta e sai lentamente do quarto, saindo calmamente para o ar úmido de abril.

Ele estava encostado no tapume branco com os joelhos levantados para o céu e seu peito ainda nu. Seus olhos estavam imóveis enquanto ele olhava para o rio, e sua bagunça de cabelo estava indo em todas as direções por causa dos meus dedos. Ele não percebeu minha presença quando eu me ajoelhei ao lado dele e inspeccionei seu rosto.

Eu fiz isso, e essa realização fez minha mão cobrir minha boca, horrorizada quando eu vi os ferimentos que eu infligi.

A marca em seu rosto que já estava com uma sombra cor de púrpura e vermelho era da minha mão. O corte no lábio que estava apenas começando a inchar era do meu beijo. A marca da mordida profunda e mutilada ao lado de seu pescoço era de meus dentes. Até mesmo os arranhões em seus ombros nus eram das minhas unhas.

Minhas lágrimas turvaram a minha visão enquanto a minha mão tremia contra a minha boca aberta. Eu já tinha sido esta imagem quebrada antes. Houve uma época em que eu era a vítima, e ver-me fazendo Justin- a pessoa que eu amava e estimava – de minha vítima... era horrível além de toda comparação. Meus próprios demônios pessoais haviam me transformado em um.

Com uma respiração profunda para abafar o soluço que ameaçava escapar do meu peito, eu levantei a toalha molhada para limpar seu rosto. Ele estremeceu minuciosamente quando a toalha quente tocou seu rosto, e eu puxei minha mão, seu olhar, finalmente, vagando ao meu. Eu trouxe a toalha de volta ao seu rosto cuidadosamente, limpando os restos de lágrimas e suor, ele simplesmente olhou para o meu rosto sem expressão. Cada centímetro da sua pele estava sob o meu controle rigoroso enquanto as fibras deslizavam sobre a sua carne, e eu não pude deixar de notar... o vinco tinha saído.

Cada vinco tinha ido embora.

Sua testa estava completamente lisa, e a tranqüilidade em seus olhos era interminável. Para o observador comum, pode ter parecido como se ele estivesse... tranquilo, sereno mesmo, mas claro, eu conhecia Justin melhor que isso. Eu conhecia as emoções de uma vítima melhor do que isso.

Ele foi dominado.

Era a derrota misturada com entorpecimento, misturando-se juntos em um vasto conjunto de vazio e uma recusa a lutar por mais tempo. Ver essa expressão no rosto de Justin fez meu estômago revirar pela última vez, e eu podia sentir o nojo em meu estômago entrar em erupção. Subi de volta freneticamente e encontrei a beira da varanda em cima da hora. Olhei para o imaculado gramado verde dos Bieber três andares abaixo de mim quando eu vomitei, minha cabeça espremida entre dois trilhos enquanto o meu corpo levantava e lutava para expulsar todo o conteúdo do meu estômago.

Justin não se moveu. Ele apenas observou.

Quando todo o conteúdo do meu estômago tinha acabado de se espalhar pelo gramado abaixo e eu estava ofegante e enxugando as lágrimas, eu usei a toalha quente para limpar meu rosto. Justin permaneceu impassível quando eu me virei e recostei-me contra a grade.

"Eu sinto muito." Engasguei, minha garganta ainda crua e ácida, e eu acho que nós dois sabíamos que eu não estava arrependida pelo vômito. Seu olhar deixou o meu quando ele repousou a cabeça para trás contra a parede e continuou a olhar por cima do quintal. Ele deu de ombros, e notei o cigarro completamente queimado em sua mão, uma longa trilha de cinzas, indicando que ele nem sequer o levantou. Eu assisti tristemente quando uma leve brisa varreu os estaleiros, farfalhando dos ramos nus em torno da propriedade, e soprando as cinzas ao longo da borda da varanda.

"Vá para casa", ele abruptamente disse, mantendo-se estranhamente imóvel enquanto o vento quase não movia o seu cabelo umedecido. "Você não deveria estar aqui." Se ele tivesse olhado para mim, ele teria visto o flash de dor e remorso nos meus olhos por suas palavras.

"Eu posso ficar um pouco"

"Você não pode ficar aqui", ele repetiu mais alto, me cortando no meio da frase. Se eu não tivesse pensado que era possível sentir-me pior, eu estava vendo a prova de que estava errada.

Quando não fiz nenhum movimento para sair, ele finalmente encontrou o meu olhar, e vi uma faísca de alívio no incômodo, por apenas um segundo quando ele murmurou, mais uma vez, "Você não pode ficar aqui."

Eu simplesmente olhei para ele, porque se eu saísse, eu não tinha idéia de como o amanhã seria. Eu não podia deixá-lo assim, por isso não me mexi, e fiquei aliviada ao ver outro flash de aborrecimento quando olhamos um para o outro.

Aborrecimento era alguma coisa.

Aborrecimento não era um sentimento dominado.

Sua mão se moveu apenas o suficiente para se desfazer do cigarro em sua mão quando seu nariz ficou vermelho. "Você não pode ficar aqui, Ashley. Eu disse vá para casa!", Ele ralhou com sua voz grave, e foi duro, mas independente, ao mesmo tempo, como um ator ruim lendo linhas em uma página, exceto que Justin estava lendo as linhas de seu roteiro familiar de aborrecimento, e não não era um sentimento verdadeiro. Como isso era possível? Eu sabia que estava foçando ele por ficar. Eu sabia que podia me segurar na grade da varanda e esperar que ele falasse ou tentasse se desculpar mais uma vez. Eu poderia ter continuado a forçá-lo se eu não tivesse acabado de testemunhar as consequências de fazê-lo. Levantei-me e tirei o pó de meus jeans enquanto eu olhava para sua expressão forçadamente irritada. Isso foi o melhor que pude obter. Eu não poderia receber um sorriso ou o calor do amor em seus olhos. Eu só pude perceber o falso aborrecimento, e eu merecia cada pedacinho dele, se não a coisa real.

Voltei para o quarto, olhando para fora da periferia dos meus olhos quando o seu corpo relaxou e ele retomou seu olhar vazio. Assim eu estava lá dentro e olhei tudo novamente, a destruição e a profanação, o meu olhar pousou no ponto perfeito no quarto.

A estante de livros.

Ela estava perfeitamente ilesa no meio do caos absoluto contra a parede branca do meu santuário. Parecia grande e triunfante, como se quisesse dizer: "Eu consegui sair desta batalha viva e bem, enquanto tudo caiu para a morte."

Era uma cidadela orgulhosa que transcendia tudo e sobreviveu, ainda ilesa.

Ela não foi dominada.

No meu caminho para fora da porta, parei e usei cada pedacinho da minha energia para derrubá-la, observando quando ela caiu no chão com um barulho e quebrou enquanto os livros se derramavam como sangue.

Porque nada faria isso sair daqui vivo.

JPOV

Ela não podia estar aqui, porra.

Em qualquer lugar, menos aqui.

Eu não queria estar perto dela, e eu duvidava que eu poderia lidar com sua atitude arrogante, teimosa, quando ela percebesse o quanto tinha me quebrado. Eu não queria sua impaciência, e eu não queria sua agressão. E eu realmente não queria que ela me batesse de novo quando eu não conseguia nem esboçar emoção suficiente para ficar chateado com isso.

Minha integridade física poderia ser comprometida pela minha namorada de quarenta e cinco quilos, e eu não conseguia nem sentir a humilhação que o pensamento deveria ter me causado.

Fodidamente ridículo.

Eu não sei quanto tempo eu tinha ficado sentado na varanda olhando os pássaros à beira do rio após Ashley me deixar, mas eu temia o pensamento de ter que voltar para dentro. O sol mal se moveu, o que significava que não havia passado muito tempo quando ouvi passos no meu quarto. Pareceu que um ano se passou, porém, e tudo estava tão quieto, dolorosamente quieto, até que ouvi os passos e, em seguida uma voz.

"Justin?" A voz baixa de Chris chamou de dentro do meu quarto, e eu estava realmente esperando que ele tivesse fodidamente saído e nem pensado em procurar por mim aqui fora, mas a minha sorte estava muito ruim.

Eu o vi emergir, saindo para a varanda quando eu senti o seu olhar furar meu rosto.

"O que aconteceu?", Ele perguntou, olhando para trás e para frente do meu rosto para o quarto atrás dele. Ele poderia ter se intimidado, mas eu não me concentrei no seu rosto. As aves ainda estavam no poleiro.

Merda, eu era patético.

"Eu fodi com Ashley", eu murmurei, honestamente, e minha voz estava realmente grossa e nojenta, e eu não consegui dar atenção a isso nem um pouco. Eu não podia me fazer me preocupar com nada.

"Você o quê?", Ele perguntou em confusão quando ele andou para perto de mim para entrar no meu campo de visão, e... porra Chris . Você está bloqueando os pássaros.

"Eu fodi com Ashley", eu repeti com a mesma voz destacada que não estava combinando com as minhas emoções sobre o assunto. "Ela vomitou alí," eu adicionei como um adendo, apontando para a beira da varanda e me perguntando por que mesmo que eu me senti obrigado a falar isso.

Chris olhou para o local que eu apontava por um momento e depois de volta para mim com uma expressão confusa. "Então você fodeu uma garota, e ela vomitou. O que há de novo?", Ele riu ansiosamente enquanto seus olhos se apertaram e ele procurou meu rosto.

Certo. Uma piada.

Hilário.

Ele se mexeu desajeitadamente enquanto eu olhava por cima do seu ombro, sem reconhecer a sua brincadeira e continuei olhando os pássaros. A manada era enorme, todos convergindo em galhos e à margem do rio. Eles cobriram tudo de preto.

"Então, você e Ashley fizeram tudo isso?", Ele perguntou, olhando para as portas duplas com surpresa. Sua cabeça inclinou um pouco, e ele cantarolou no pensamento antes que eu pudesse responder, não que eu tivesse planejado fazer isso. "O sexo com vocês dois é... sempre tão destrutivo", ele perguntou, sua voz uma oitava mais alta do que o habitual, e eu realmente queria me divertir com ele. Mas eu não conseguia.

"Se você não sabe, foi a primeira vez", respondi alegremente, sem nenhuma vontade de discutir isso. Eu vi quando sua boca se transformou em um 'o' silencioso de realização, e suas sobrancelhas subiram alto, antes de franzirem em confusão.

"Eu entendo..." Chris se moveu novamente sem jeito, coçando a nuca enquanto ele se abaixou no parapeito, em seguida, começou a resmungar: "Eu acho que todos nós imaginávamos, sabe. Com ela dormindo aqui, e os almoços e merda, e-" ele fez uma pausa, fazendo uma careta, e depois xingou alto, estreitando os olhos para mim. "Porra Justin. Me dê uma ajuda aqui. Eu não quero falar sobre você fodendo Ashley, pelo amor de Cristo."

Há um Deus.

Ficamos em silêncio por um longo tempo, porque era melhor. Ainda inábil para Chris , mas melhor para mim e para os pássaros pretos continuarem suas conversas privadas em vários poleiros enquanto eu os observava entorpecidos. Sentamos e o sol foi mais veloz em direção ao horizonte, enquanto os minutos passaram em silêncio. O tempo não estava muito tangível para mim, e eu espertamente deixou minha mente e pensamentos em branco em relação ao que tinha acontecido no quarto. Eu não estava certo se Chris ficou porque ele se importava com o que aconteceu com o quarto, ou porque ele estava agachado ali, olhando para a casa e sentado comigo como se ele não tivesse mais nada para fazer. Eu não pedi a ele para fazer nada disso, e eu me sentei e assisti todas as aves, finalmente, voarem em um cobertor escuro que dançava e tecia após o rio.

Ele finalmente falou. "Tudo é muito ruim, não é?", Ele sussurrou em um tom estranhamente triste que despertou a minha atenção, eu movi meu olhar para ele. Ele suspirou e, finalmente, deixou-se sair do agachamento, tomando o lugar antes ocupado por Ashley , e balançou a cabeça. "Você, BruceAshley, Stela, inferno, até mesmo Ryan e Quin. Tudo está errado, nada certo, e..." Seus olhos, em seguida, estreitaram-se em aborrecimento, e ele não estava olhando para mim quando a sua voz foi ficando cada vez mais agitada, mas ele não precisou. "Ninguém está dizendo o que precisa ser dito em toda esta situação fodida, e isso está realmente começando a me estressar, Justin." Quando ele disse meu nome, ele finalmente me olhou nos olhos. Ele parecia bastante chateado. Eu realmente queria dar uma merda, mas eu não dava.

Ele revirou os olhos quando eu não lhe dei a resposta que ele provavelmente havia antecipado, e, em seguida, porque ele era Chris, ele continuou. "Bem, puxa vida, Em? O que poderia ser algo em particular? Hum, boa pergunta, Em. Aqui, permitam-me elaborar", ele falou para si mesmo com sarcasmo, mas ele estava olhando diretamente para mim. Era como se ele estivesse tendo um momento Ryan. Todo-sabe-tudo e sarcástico e uma detalhada flor de referência á distância de ser o pau-encarnado.

Seus olhos castanhos se iluminaram de raiva, suas narizanas flamenjando conforme ele me encarava. "Cresce logo, caralho." Ele disse bruscamente, pausando para rugir e provavelmente me dando a oportunidade para responder enquanto eu retornava seu olhar vaziamente, mas eu não tinha a intenção de responder.

Com um grunhido de frustaçaõ ele continuou em um tom frenetico. "Ambos você e a Ashley. Você tão merda de direitinho para tudo e não tira vantagem de nada. Bruce e Stela separaram vocês, e todo mundo concorda que foi errado, mas... caralho, Justin." Ele riu sem humor, balançando sua cabeça e quebrando meu olhar. "O que diabos vocês tem feito para ganhar qualquer confiança de um deles. Você acha que vocês foram o primeiro casal a serem separados pelos seus pais?" Ele arqueou um sobrancelha interrogativamente e cresceu mais irado quando eu não respondi. Eu tinha nada a dizer. Parte porque era verdade,e parte porque eu me recuso a admitir isso nesse momento. Eu assisti sua sobrancelha arqueada cair, e seus olhos enegreceram conformo seu punho fechava.

"Merda." Ele cuspiu, se levantando da sua posiçõ e ficando de pé sobre mim, agidando seus braços selvagemente conforme sua tiragem explodia em silabas grossas e palavrões. "O mundo não gira em volta da merda de Justin Ashley, caralho. Nós quatro apoiamos vocês, só esperando para que vocês tirassem suas cabecinha de dentro dos seus trazeros e provassem que eles estão errados agindo como merda de adultos maduros por uma vez nas suas vidas. Mas você nunca fez isso. E agora tudo está ruim, e todos nos pagamos o preço, então ... vai se fuder." Ele cuspiu acrimoniosamente, peito subindo enquanto seu dedo apontava para baixo, para mim. "Foda-se você, e foda-se a Ashley, e ... vai se fuder por ter fudido a Ashley. Eu estou pulando fora do carro de apoio pra merda de Justin Ashley e estou levando a Rose comigo, e se Ryan Quin tiverem um minino de bom senso neles eles vão seguir, porque você nunca vai mudar a sua merda e não vale a pena até que você o faça." Ele terminou, permanecendo parado e fervendo conforme eu olhava para ele.

Ele ainda tinha aquelas covinhas quando ele fazia cara de escarnio, e isso o deixava muito menos intimidados.

E se fosse qualquer outra pessoa menos Chris me dizendo essa merda e gritando para mim desse jeito como se eu realmente merecesse, eu continuaria assistindo o desfile e simplismente daria de ombros, porque eles não teriam nenhuma resposta para mim – só perguntas e acusações. Eu não precisava dessa merda. Eu preciso de respostas e merda ... eu não tenho elas.

Mas Chris tem.

"Como eu conserto isso?" Eu perguntei, e se eu tivesse algum orgulho ainda em mim, eu nunca teria olhado em seus olhos e basicamente implorado para me dizer como ele fez tudo funcionar: como ele consegue ser um bom filho, como ele consegue ser capaz de ter amigos sem fazer merdas o tempo todo, como ele consegue amar Mery do jeito certo, ou como ele consegue deixar o passado que poderia ter sido mais nunca foi.

"O que. Precisa. Ser. Consertado?" Ele grunhiu por entre seus dentes cerrados, ainda me encarando quando eu quebrei o seu olhar e ponderei a sua questão como se fosse a ultima pergunta do exame final da merda da minha existencia.

Tudo?

Eu tinha aberto a minha boca institivamente para responder sua pergunta com essa exata pergunta, mas a fechei, porque não era bom o suficiente e ... caralho até eu podia ver isso.

Então o que fez tudo tão fudido em primeiro lugar?

Minha mente se tornou redemoinho e um torrente de palavras e memorias enquanto eu lutava para seguir as pistas para algo que pudesse me dar a resposta certa.

O que precisa ser consertado?

Ashley Bruce, Stela, fuder, vermelho, branco, preto, cantarolar, dormir, memorias, sonhar, acordar, suar, ofegar, chorar, procurar, queimar, tossir, sufocar, perder, se prender, agarrar, escorregar, devanear, neglegenciar, lutar, derrotar, terminar, desistir, deixar ir ...

"Eu." Confessei em um sussurro estrangulado, procurando por seus olhos de forma suplicante, porque eu sabia o quão verdade isso é. Não era Bruce ou Stela ou a Ashley Vermelha ou a Ashley Branca ou até mesmo a falta de sono que fudeu tudo e me deixou desse jeito. Fui eu – o tempo todo, era eu. Todas essas outras merdas para culpar, e sempre ia retornar para a mesma coisa quando eu relembro: tudo era fudido, mas nada podia comparar com a compreenção que eu em sentia completamente infectado, bem fundo na minha alma. Era uma ferida aberta, pulsante e dolorida, mas em algum ponto cresceu para um infecção e invadiu cada pequena celula de mim. Eu achava que a Ashley era o remedio, mas ela é o band aid. Era tão injusto de qualquer jeito, caralho.

Os olhos de Chris suavizaram conforme ele me olhava, sentado na varanda, desistindo, admitindo derrota, sem camisa no ar frio de Abril com hematomas e feridas no interior. Era tudo que eu tinha pra dar, e deve ter sido a resposta certa porque ele retornou para a sua posição contra o corrimão com um suspiro.

"Eu não tenho todas as respostas, cara. Eu nem sempre fui tão composto como eu pareco." Ele respondeu, espelhando a minha pose com os seus joelhos dobrados e sua mão brincando distraidamente com seus cadarços. Eu queria ficar desapontado que ele me colocou por toda aquela merda de epifania e nem ia ajudar, mas... parecia mais uma renuncia quando ele eventualmente continuou.

"Você se lembra do ultimo verão? Quando eu fui ver o campus do UT em Nashville?" Ele murmurou, me olhando brevemente e mudando seu olha quando eu concordei. Eu lembro ele e Bruce fazendo um grande negocio dessa merda, algo sobre um programa atlético que eu nunca realmente prestei atenção porque eu não conseguia me importar. Os ombros de Chris de repente fizeram o mais estranho movimento de desmazelo, e eu fiquei momentaneamente atordoado. Seus olhos relampejaram em dor e raiva enquanto sua postura se tornava protetora de si mesma – se dobrando e se curvando para longe, quando ele encontrou meu olhar e sua fraqueza pura pela primeira vez.

"Era só um disfarce que Bruce criou para mim." Ele admitiu, e Chris raramente sussurrava, mas ele sussurrou agora como se estivesse com medo que alguém o fosse escutar.

Era oito e cinqüenta e três, e eu usei as badaladas do relógio da mesa de Bruce para contar os segundos até que ele chegasse em casa. Era estranho como a escuridão amplificava o som, mas ... um monte de coisas eram estranhas. Eu estar aqui era merda de estranho, definitivamente. Eu mandar Chris para a casa de Ashley para ver se ela estava bem – isso era estranho. A promessa dele de ficar até que eu terminasse com o que provavelmente seria um pouco estranho também. Eu ligando para Mery  para pedir um favor não era só estranho, mas completamente merda de sacrilégio.

Porem eu faria de novo em um piscar de olhos.

Se eu alguém me dissesse a doze horas atrás que eu estaria fazendo isso, eu teria rido deles, e os acusado de serem uma das minhas alucinações. Era desse jeito que as coisas estavam estranhas. O relógio badalava e movia conforme eu contava os segundos na minha cabeça, e eu usei como distração de tudo que possivelmente poderia me mandar um absoluto pânico. Meu entorpecimento emocional estava desvanecendo lentamente, mas ainda estava desvanecendo. Eu não podia deixar Bruce ver isso.

Deve ter sido nove quando eu finalmente ouvi a porta da frente abrir e seus passos ecoarem pelos corredores. Ele chamou por Chris e por mim, mas eu não movi um músculo. Eu estava com medo que se mexesse, eu não pararia, e eu fugiria como um coelhinho assustado.

Ele subiu as escadas e provavelmente viu o meu quarto, mas não era nada comparado com o que eu estava preste a fazer. Ele entenderia isso depois, mas por enquanto, ele estava lá embaixo de novo, ainda procurando e encontrando nada a não ser quartos vazios.

Minha respiração estava instável, o que me surpreendeu. Não combinava com a ansiedade que estava lentamente rastejando pelo meu peito quando seus passos finalmente pausaram do lado de fora da porta do escritório. Quando ele abriu e entrou, eu escutei um débil arquejo e suas mãos procuraram pelas paredes.

Quando o quarto foi finalmente iluminado e banhado com uma luz fraca, eu pude ouvir o alivio e a irritação presente em sua quando ele falou. "Você se importa em explicar o que diabos aconteceu lá em cima? E onde está Chris ?" ele perguntou enquanto cruzava o quarto. Eu não ia responder nenhuma dessas perguntas. Ambas envolviam Ashley, e se eu pensasse nela... eu arregaria e desistiria, caralho.

Nada mais disso.

Então eu permaneci calado e parado conforme ele entrava no meu campo de visão do outro lado da mesa e se sentou. "Meu Deus, Justin..." Ele suspirou quando seu olhar encontrou meu rosto e ele se levantou de seu lugar em alarme. "O que aconteceu com você?" Seus olhos arregalados examinaram meu rosto, e eu tinha de alguma forma esquecido sobre isso. Eu futilmente questionei como eu estava. Minha garota podia realmente acabar com um filho da puta.

Era mais uma pergunta que eu não podia responder, e assisti ele abaixar seu corpo de volta para a cadeira conforme cercava. "Você entrou em uma briga?"

Como se ele fosse acreditar em mim se eu pudesse contar pra ele. Eu duvido.

"Você poderia por favor dizer alguma coisa?" Ele finalmente questionou, e seu voz estava cheia de desespero e alarme, eu decidi que era agora ou nunca.

Eu abri minha boca para murmurar as palavras que eu tenho estado ensaiando na minha cabeça pelas ultimas duas horas, mas tudo que saiu foi um rouco "Eu preciso da sua ajuda."

Isso não era necessariamente uma mentira ou algo assim, mas não era o que eu queria que fosse. O que eu queria? Merda de violinos e uma multidão arfando em surpresa? Eu estava começando a relutância em continuar por esse caminho, e eu lutei contra.

Os olhos de Bruce cresceram por um breve momento antes dele visivelmente forçar um expressão de neutralidade. Eu imaginei que ele queria ouvir essas palavras já faz um tempo. "Qualquer coisa, só me diga o que você precisa." Ele disse uma quantidade de convicção determinada. Sua sinceridade me deu uma pontada culpa que me fez engolir grosso enquanto minha mão contorcer no descanso para braço de couro. Por que eu me sentiria culpado? Eu meditei para mim mesmo. Eu precisei da Ashley pelos últimos três meses, e onde estava a merda da sua sinceridade aí?

Eu continuava a montar casos contra Bruce na minha mente para fazer o que eu estava prestes a fazer mais fácil, e eu podia ver seu expressão se tornando cética e cautelosa conforme os segundos passavam.

"Chris." Comecei e pausei para limpar a minha garganta porque estava arenosa por ter gritado e chorado como um viadinho. Suas sobrancelhas franziram à menção do meu irmão, mas ele permaneceu silencioso enquanto esperava que eu continuasse.

Eu não tenho certeza como eu parecia por fora, mas por dentro eu estava lutando para manter essa ridícula calma exterior e rezando pra caralho que eu estivesse conseguindo. "Eu quero o que você fez por Chris." Eu terminei, e assisti as emoções cruzarem seu rosto. Primeiro, confusão e curiosidade, e então calculo conforme ele lutava para encontrar o significado dessa declaração sem ter que me forçar a elaborar – o que eu estava agradecido. Eu consegui distinguir o exato momento que ele finalmente entendeu o que quis dizer, porque seu rosto perdeu toda a cor.

Sua cabeça começou a balançar lentamente, como se involuntariamente. "Eu não sei se essa é uma boa idéia, Justin." Sua voz estrangulada soava suplicante, e eu assisti suas mãos em cima da mesa fechar e abrirem em um gesto de ansiedade.

"Você esta recusando?" Eu perguntei planamente enquanto assistia suas mãos, e eu estava secretamente esperando que ele dissesse "sim." Se ele me recusasse, eu não conseguiria seguir em frente, então não seria meu medo que me parou. Seria só outro jeito de Bruce  me controlar. Eu poderia viver com isso.

"Não." Ele sussurrou delicadamente depois de um longo momento em derrota, e meu estomago caiu. A única vez que eu precisava que ele fosse contra mim, ele não foi.

Típico pra caralho.

Suas mãos deixaram a mesa, e eu não podia encontrar seu olhar quando ele começou a mexer pelo seu chaveiro. Ele usou uma pequena chave dourada para destrancar um das suas gavetas, e quando o envelope amarelo Manila encontrou a madeira escura da mesa, minha boca ficou seca. Parecia tão singelo e inócuo. Só um simples envelope amarelo. Eu não sei o que eu estava esperando conforme eu tentativamente me inclinava pra frente e o olhava duvidosamente. Talvez uma caixa preta com fios farpados e picos de cromo ou alguma merda assim? Seria mais apropriado do que esse envelope amarelo. Eu fui pegar, engolindo seco que fez a minha garganta doer, e lidei com ele como se fosse a caixa preta que eu estava esperando. Eu não abri.

O olhar de Bruce estava fixo no envelope conforme eu o colocava no meu colo. O olhar de dor e derrota que estava gravado pelo seu rosto era quase doloroso demais para ver, e mais do que eu pouquinho enigmático. Era uma suposição para eu fazer – que ele queria essa merda a anos.

Sem palavras, ele levantou do seu lugar e viajou para o armário do outro lado do cômodo que guardava seus suplementos médicos. Eu não contestei quando ele colhia vários itens e ajoelhava ao meu lado para inspecionar a mordida induzida por Ashley no meu pescoço. "Isso poderia infeccionar." Ele sussurrou tristemente, e eu me sentei inabalável enquanto ele limpava cuidadosamente – o envelope amarelo queimando buracos em minhas mãos conforme eu o segurava vacilante no meu colo.

Nenhuma outra palavra foi trocada.

BPOV

Era um pouco estranho como três pessoas conseguiam ter uma conversa inteira com somente os olhos, e de alguma forma entender tudo o que a outra pessoa estava tentando comunicar.

Isso era Quin, Chris, e eu quando Stela chegou em casa as nove.

Ela encostou seus cotovelos no balcão, pegando o resto de comida que eu tinha cozinhado para Chris e Quin enquanto ela trabalhava até mais tarde, e o cômodo estava completamente silencioso. Não era um silencio estranho ou desconfortante, mas mais... como a calmaria antes de um tempestade. Talvez Stela fosse intuitiva sobre esse tipo de silencio porque ela me jogou um pequeno sorriso e perguntou, "Está tudo bem?"

Ai estava a palavra "bem" de novo.

Balancei a cabeça afirmando e tentei forçar um sorriso o que só a deixou mais curiosa sobre a atmosfera tensa no cômodo. Então ela começou dissimuladamente a interrogar Chris e Quin por mais detalhes de seus dias. Chris mandou para Quin um olhar que claramente mostrava a sua ansiedade sobre mentir sobre mentir para ela, e Quin  ofereceu para a minha expressão de pânico um sorriso tranquilizador enquanto ela tentava distrair Stela com a sua nota da prova de Historia. Chris me olhou desculpando-se, eu sorri em agradecimento conforme Quin roubava o show e se apresentava impecavelmente.

Stela não tinha idéia do que estava acontecendo.

A ligação da escola sobre o meu desaparecimento era meio que inevitável, mas era obvio que ela não tinha recebido ainda porque ela parecia estranhamente animada. Sim, animada. Desde a noite do aniversario de Justin ela tem sido afastada e reservada, então ver ela animada era um coisa meio que importante para Quin e para mim.

Eu deveria ter mostrado mais interesse, mas minha cabeça estava em completamente outro lugar – principalmente na casa ao lado com Justin, e eu estava jogando a Chris uns olhares ocasionais porque ele não deveria estar aqui comigo. Justin estava lá, totalmente sozinho, tirando Bruce, de quem eu tinha serias duvidas de que iria ser algo menos um incomodo para Justin considerando o estado que eu deixei a sua casa.

A culpa consumidora das minhas ações mais uma vez inchou dentro de mim conforme eu mexia a massa de cookie e bloqueava as vozes atrás de mim. Eu não conseguia encontrar energia para fingir que estava tudo "bem", e eu certamente não conseguiria lidar com a explosão que Stela vai dar quando descobrir sobre eu ter cabulado aula. Para ir ver Justin. Para violentar Justin . Para fazer sexo com Justin.

Antes dela finalmente se retirar da cozinha, ela veio ao meu lado e sussurrou baixo na minha orelha. "Esta muito tarde para fazer esta noite, mas amanhã eu e você vamos ter uma conversa."

Meu corpo inteiro congelou, a forma de cookie cheia apenas pela metade com Marzipã Sutilmente Profanado quando eu percebi que minha suposição original estava claramente errada. Ela deve saber, e essa conversa seria tão desagradável que teria que esperar até de manhã. Eu escutei ela sair da cozinha sem encontrar o teu olhar. Ela certamente teria visto o pânico nos meus olhos, e eu estava certa de que essa era sua intenção o tempo todo. Me fazer esperar e cozinhar na minha ansiedade ate que ela decidisse me punir ainda mais.

Esse podia ficar pior ainda?

A atmosfera tensa no cômodo pareceu subir depois que ela saiu, e nós três não falamos enquanto esperávamos os cookies assarem. Quin me perguntou sobre os eventos da tarde somente uma vez antes de perceber que era algo que estava disposta a discutir ainda.

Chris sabia.

Isso ficou obvio no momento que ele andou pela porta e usou seus grandes olhos castanhos para escanear cada centímetro da minha pele visível. Ele se fez confortável e recusou ir embora por algum motivo desconhecido para mim, então eu simplesmente o fiz jantar e agradeci pela distração.

Eu estava questionando, quanto tempo ele possivelmente poderia ficar?

Nós três estávamos sentados envolta do balcão de granito escuro nos nossos respectivos bancos, Chris mais longe de mim ao fim da mesa, e Quin ao meu lado, mexendo inquieta com as sacolas transparentes Ziploc e espátulas quando três coisas aconteceram simultaneamente. Primeiro, o timer tocou alto no fogão. Os cookies estavam prontos. Segundo, o celular de Stela tocou em sua bolsa ao lado do microondas, um toque programado especificamente para o . Finalmente, houve três altas e agudas na porta da frente que poderia ser escutada da cozinha apesar do timer e o celular.

O silencio foi tão absolutamente danificado que me fez encolher conforme eu corria para o fogão e rapidamente desligava o timer e o forno. O celular de Stela continuava tocando enquanto ela atendia os visitantes na porta da frente, e eu cerrei meus olhos para a bolsa preta em irritação antes dela finalmente correr para a cozinha para atender. Ela estava levemente sem fôlego enquanto atendei a ligação do Dr. Bieber com um sorriso e ela relaxava contra o balcão.

Eu assisti com uma discreta curiosidade e retornei ao meu lugar enquanto ela falava, concluindo que Justin tinha sido pego cabulando também e me tornando horrorizada com a idéia dele em mais problemas. Conforme Dr. Bieber falava o sorriso de Stela lentamente caiu e seus olhos imediatamente voaram para os meus e se arregalaram.

Merda.

Eu rapidamente mudei o meu olhar para o meu colo, dedilhando a barra do agasalho e desejando que tivesse um buraco por perto para que rastejasse até lá e morresse. A expressão horrorizada e devastada no rosto de Stela deve significar que eles sabiam de tudo.

Antes mesmo que eu pudesse chegar ao nível apropriado de alarme, duas figuras entraram a cozinha. Eu estava surpresa conforme Ryan e Mery respondiam ao meu olhar chocado com sorrisos e trotes graciosos para o lado de seus parceiros.

Minhas sobrancelhas franziram em confusão enquanto eu lutava para prestar atenção em tudo a minha volta.

"Agora? Não pode esperar até—." Stela pausou e mordeu o interior da sua bochecha distraidamente enquanto segurava o telefone a sua orelha. "Devo eu fazer?" ela sussurrou, e eu de repente notei Ryan e Mery falando baixo no ouvido de Quin e Chris.

O que diabos está acontecendo?

Desentronizei Stela para focar na troca entre os meus quatro amigos e me torner alarmada quando o rosto de Quin empalideceu e ela encontrou meu olhar. Chris não parecia afetado pelo o que Mery lhe disse, e ela se sentou ao seu lado, sorrindo calorosamente para mim.

"Oh, cookies!" Ela exclamou felizmente e cheirou o ar. "Amêndoa, certo?" Perguntou enquanto laçava seu braço com o de Chris , uma sobrancelha loira arqueada em curiosidade. Isso era estranho. Mery nunca deu a mínima sobre cookies. Eu tinha acabado que abrir a minha boca para surtar mais verbalmente quando Stela fechou seu celular e virou para mim.

Seus olhos brevemente conectaram com o dos outros e me senti como se estivesse fora de um grande segredo. Estava me deixando puta. "Ashley , eu acho que –" Stela começou, então pausou para balançar sua cabeça, como se ela precisasse recomeçar. "O que eu quero dizer é que ..." Ela parou e as outras quatro pessoas no cômodo estavam olhando para qualquer lugar menos para mim.

Com um suspiro Stela andou para trás de mim e segurou o meu ombro, silenciosamente me pedindo para deixar o banco. Eu obedeci, e quando ela me girou e me conduziu para a janela da cozinha, eu me tornei impossivelmente mais confusa. Antes que eu pudesse me tornar irritada e perguntar a ela o que diabos estava acontecendo, meus olhos se ajustaram a escuridão do quintal, e podia claramente ver um figura no gazebo.

"Vá." Foi tudo que ela disse, e eu não esperei por mais nenhuma indicação que permissão conforme girava para a porta e a abria. Era muito bom para ser verdade, e em algum lugar no fundo da minha cabeça eu percebi isso enquanto cruzava o quintal. Stela nunca deixaria eu sair da casa tão tarde – muito menos para ver Justin, mas eu estava tentando evitar a sensação incomoda de pressentimento enquanto eu me aproximava do gazebo.

Justin estava sentado no seu lado do banco enquanto eu hesitantemente pegava o meu. Ele estava usando sua jaqueta de couro, e ele me ofereceu um pequeno sorriso conforme dobrava seus braços sobre a mesa – deitando sua bochecha em seus braços, me encarando. Ele estava cansado, e mostrava. Eu estava agradecida pela escuridão da noite porque eu não queria ver seus ferimentos.

Eu o encarei ansiosamente enquanto ele fixava seu olhar no mesa de madeira. Eu estava morrendo de vontade de fechar a distancia entre nós, mas sabia que não podia, então eu espelhei a sua pose, e deitei minha bochecha nos meus braços. Principalmente, eu me sentia estúpida, e os sons do rio estavam me embalando para um estado muito mais relaxado devido as circunstancias.

"Chris uma vez teve uma nojenta paixão por reggae." Ele abruptamente sussurrou, encontrando meu olhar e sorrindo torto.

Evitando.

Era frustrante, e eu não estava com humor para jogar joginhos. Mas se era o que Justin precisava – por agora - então eu daria isso a ele.

Eu retornei seu sorriso forçadamente. "Musica reggae não é tão ruim." Defendi quietamente com um dar de ombros enquanto memorizava as linhas do seu rosto na escuridão.

Ele rolou os olhos e começou a arrancar a madeira com os seus dedos. "A musica eu podia suportar, mas não aquele filho da puta usando aqueles chapéus de arco Iris feios e tudo mais," ele grunhiu enquanto eu por reflexo ria para a imagem mental que o seu comentário criou.

Toda essa coisa de ficar evitando estava fazendo meu peito mais leve, então eu continuei. "O primeiro sonho erótico de Quin foi com o Freddy Krueger." Ofereci apreensiva, e suas costas subiram e desceram com sua macia risada. Ele parecia muito melhor do que quando eu deixei ele na varanda, e eu estava indefinidamente aliviada enquanto relaxava minha bochecha no meu braço e mergulhava no seu divertimento. Isso não era tão ruim. Talvez tudo pudesse ser salvo, e Justin não sentisse sobre mim o que eu sinto sobre David.
(Não sei qual o nome que eu coloquei para o pai dela, acho que era David, entao vamos deixar assim.)

Secretamente, isso tem sido um festival de pânico desde que eu deixei a casa dele.

"Eu não estou chocado." Ele admitiu depois que sua risada diminuiu com um dar de ombros. Nós passamos algum tempo olhando nos olhos um do outro. Ele ainda parecia tão exausto, e por um momento, eu me permitir que era Novembro novamente, e que nós estávamos compartilhando os momentos de vergonha mais sórdidos de nossos amigos para nos manter acordados.

Bons tempos.

"Ryan colocou um piercing na língua, e ficou tão infeccionado e nojento que ele quase teve que fazer cirurgia." Ele ofereceu, arqueando uma sobrancelha. Isso também não me surpreendeu muito.

"Quin disse que Mery molhou a cama até os doze anos" Eu contei, e ele fez uma careta, finalmente se sentando e enfiando as mãos no seu bolso.

"Todo mundo sabe disso, Ashley." Ele balançou a cabeça, ainda sorrindo levemente enquanto pescava algo de seu bolso e começou a brincar com isso distraidamente. "É a merda de um milagre que o apelido 'Pi-Pi-Mery' não grudou nela até o colegial." Ele meditou distraidamente. Eu não conseguia ver o objeto enquanto ele passava de uma mão a outra, mas eu peguei um pequeno reflexo de luz da escassa luz na lua.

Eu me sentei com um suspiro. Tava na hora de parar de evitar.

"O que está acontecendo, Justin?" Sussurrei hesitante, e a alegria que estava presente em seus olhos desapareceu completamente. Ele começou a morder o lábio e a balançar seu joelho por debaixo da mesa, sem encontrar o meu olhar enquanto eu assistia cautelosamente o seu comportamento ansioso.

Eu dei a ele o máximo de tempo que eu podia suportar. Ele ficou olhando suas mãos intensamente por vários momentos, brincando com o objeto brilhante enquanto o som do rio fazia tudo parecer em paz. Era uma mentira. Ficar evitando era uma mentira, e eu queria saber o que diabos estava acontecendo.

Antes que eu enlouquecesse de vez e me irritasse, ele suspirou longamente e agoniado, abaixando sua testa na mesa de madeira em renuncia. "Eu estou cansado pra caralho, Ashley." Ele admitiu quietamente sem levantar sua cabeça. Sua voz estava tão cheia de dor e derrota que eu decidi que as regras do meio termo no gazebo não se aplicavam mais.

Eu tentei ir para o seu lado cautelosamente, mas acabei voando a distancia entre nós e segurando os seus ombros em o abraço mais forte que eu consegui. Ele enrijeceu momentaneamente, mas eventualmente relaxou e levanto o braço para serpentear em volta da minha cintura.

Eu não merecia nada da sua afeição, verdade seja dita. Eu tinha o machucado de novo e de novo, e eu nem merecia suas conversas educadas – muito menos seu carinho. Mas ele me apertou forte contra o seu lado, finalmente levantando sua cabeça e plantando um beijo na minha testa antes de enterrar seu nariz no meu cabelo delicadamente. Fez e me sentir impossivelmente pior.

Eu abri a minha boca com a intenção de me desculpar novamente. Eu diria um milhão de vezes, e ainda não me redimiria, mas desculpas era tudo que eu tinha. David nunca se desculpou. Talvez isso me fizesse menos monstro. Se ele estava disposto a me perdoar, então talvez eventualmente, eu poderia me perdoar. Infelizmente, eu nunca tive a oportunidade.

"Eu estou partindo." Ele murmurou no meu cabelo, alisando carinhosamente pelas minhas costas com seus dedos.

Pisquei em confusão, olhando para o rio e tentando entender suas palavras. Partindo. "Você decidiu se mudar da casa?" Franzi a testa. Fazia sentido. Se ele tivesse sido pego cabulando aula então ele e Bruce provavelmente tiveram outra briga. Eu não podia supor que ele ficasse em um ambiente tão desconfortável pelo me bem. Era perturbador, mas decidi que não mudaria tanta coisa.

Eu ia assegurar a ele que eu não seguir com a minha ameaça de procurar terapia até que eu senti ele balançando a cabeça.

"Não exatamente." Ele admitiu, finalmente levantando seu rosto do meu cabelo para encontrar meu olhar. Meu rosto franziu mais enquanto eu articulava meu corpo na direção do seu. Seus olhos escuros estavam apreensivos, queimando nos mês e seu abraço na minha cintura apertou; "Eu vou para Chicago.", ele suspirou com remorso.

Muito longe foi a primeira reação que a minha mente pode produzir. Eu simplesmente suportar essa distancia entre Justin e eu, e o meu "Por quê?" estrangulado foi a única resposta que eu podia coerentemente dar devido ao aperto no meu coração.

Ele de repente puxou mina cabeça para o se ombro, me abraçando mais forte enquanto ele falava no meu cabelo. Ele começou a me contar a conversa que teve com Chris. Algo sobre Chris ter ido encontrar seus pais biológicos. E tentei absorver tudo, mas ele estava falando muito rápido. Enquanto ele falava, se tornou uma clara e desesperada justificação. Até eu podia dizer isso, apesar que eu não podia entender porque. Nada que ele disse fazia sentido.

As únicas palavras que penetraram completamente meu choque e pânico foram "Eu vou encontrar a minha mãe."

Eu tinha voltado para o meu lado do banco. As regras de meio termo do gazebo tinham voltado com toda a força. Eu não falava a um longo tempo, e minha mente ainda estava tentando capturar a gravidade da partida de Justin.

"Você acha... quanto tempo..." Gaguejei estupidamente, minhas palavras tão desorganizadas quanto os meus pensamentos.

Por sorte, Justin me conhecia bem o suficiente para entender o que eu estava tentando dizer. "Eu não sei." Ele respondeu incerto, enquanto uma chuva leve começou a cair. Essa resposta era tão ridiculamente inaceitável que minha cabeça abruptamente girou para encontrar seu olhar.

"Você não sabe?" Eu tentei injetar minha voz com veneno e raiva, mas saiu como um patético soluço. Seus olhos estavam novamente fixos em suas mãos, o objeto não mais lá, e seu cabelo umedeceu por causa da umidade no ar.

"Talvez... antes da escola acabar?" ele ofereceu com as sobrancelhas franzidas e um expressão calculadora para as suas mãos. Ele não tinha idéia do que estava fazendo.

"Eu vou com você." Eu implorei desesperada, e sua cabeça começou a balançar antes mesmo de que eu pudesse terminar. "Eu posso falar com Stela, e ela vai – "

"Merda, Ashley." Ele suspirou, finalmente encontrando meu olhar, e eu sabia que ele nunca deixaria. "Nós dois sabemos que você não pode vir." Ele adicionou em uma voz racional, e você sabe que as coisas estão ruins quando Justin é a sua voz da razão.

Então eu concedi nesse aspecto, mas tinhas outras cordas para segurar. "E se piorar as coisas pra você, Justin? E se ela... fizer de novo?" Tentei relutante, e o breve flash de dor em seus olhos me asseguraram que ele entendia o que eu quis dizer.

"Talvez ela faça." Ele respondeu direto com um rígido dar de ombros – como se não fosse incomodar ele tanto quanto nós dois sabíamos que iria. Nesse caso que realmente teria que a caçar e cuspir na sua cara. No mínimo. Ainda sim, ele não ia se render a mim.

Essa idéia dele ou era muito admirável, ou completamente louca, e não tinha como saber qual das duas.

Mas Justin estava determinado a descobrir. Eu percebi ai, quando sua mandíbula travou e em seus olhos determinados que... isso era uma daquelas coisas que ele tinha que fazer. Sozinho. Para o melhor ou pior. Não era algo que eu podia ajudar ele a conquistar, e isso me dói sem fim. Eu questionei... foi assim que ele se sentiu quando eu fui para Phoenix?

Eu estava rezando para que o medo que eu sentia não estivesse presente nós meus olhos quando eu encontrei seu olhar. "Antes de o verão começar." Eu reiterei em um tom de comando que tremeu apesar dos meus esforços. Ele concordou com a cabeça, e o movimento fez uma mecha de cabelo cair, obstruindo seu olho. Eu cruzei a distancia para afastar. "Me prometa." Eu sussurrei implorando.

Seus punhos estavam fechados tão firmemente na mesa que suas juntas ficaram brancas. "Eu voltarei para casa antes do verão começar, eu prometo." Ele me assegurou, e mesmo a sua voz estando laçada com convicção e honestidade, não fez nada para apaziguar os meus medos.

Eu concordei, e ele lentamente se levantou do banco. Eu estava congelada no lugar. Não fazia sentido ele fazer isso agora. Ele estava muito cansado, e estava muito chuvoso e tarde para ele dirigir com segurança. Eu não podia entender sua justificativa para não esperar, mas eu temia que expressar essa preocupação faria me parecer egoísta e que eu não o estava apoiando quando eu implorasse para que ele ficasse – então eu não o fiz e o meu estomago torceu e agitou.

A chuva estava caindo mais forte agora, batendo nas telhas do gazebo enquanto ele ficava a atrás de mim e me puxava para si. Seus braços fortes envolveram meu ombro enquanto seu rosto encontrava meu pescoço e ele o beijava delicadamente. Eu recusava a dizer adeus, e ele deve compartilhar o meu sentimento nisso, porque ele não o disse também. Ao invés, ele simplesmente segurou minhas costas para o seu peito, plantando beijos frios em volta do colar que eu uso e sussurrando na minha orelha que ele me ama.

Eu consegui forçar um sorriso e tentei o meu melhor não chorar quando eu lhe disse, "Eu também te amo." Já deve ser difícil o suficiente sem que eu tenha que adicionar o peso das minhas emoções em cima das suas.

Quando seus braços me soltaram, ele removeu sua jaqueta e colocou em meus ombros. "Se cubra da chuva quando você for embora." Ele ordenou, corretamente prevendo que eu iria ficar até que ele partisse. Eu concordei entorpecida sem encontrar seu olhar. Eu queria poupar a ele a culpa de ver a dor e o medo presentes nos meus olhos.

Meus olhos permaneceram fixos no rio, eu podia sentir ele partindo do gazebo sem mesmo olhar por cima do meu ombro. Parecia que um pedaço de mim tinha sido arrancado do meu corpo, e de repente, eu estava congelando. Meus dentes começaram a bater, e não teve um momento monumental onde eu sabia que ele tinha partido. Na verdade, eu fiquei sentada por um longo tempo e ainda esperava virar a minha cabeça e ver ele atrás de mim. Mas eu não podia sentir sua eletricidade. Eu podia sentir somente o frio, a umides e o pavor.

Um mês.

Depois de tanto tempo sentada sozinha no gazebo, a lua estava completamente coberta pelas nuvens, e a escuridão era sufocante. Eu levantei meu rígido e corpo tremendo do banco e segurei a jaqueta de Justin firmemente em volta do meu torso. Eu queria ir pra casa, mas minha única casa tinha acabado de sair em seu carro – para procurar a única pessoa que podia machucar e o violentar muito pior do que eu.

Eu teria que me conformar com o segundo melhor.

A chuva martelando no meu cabelo enquanto eu cruzava o jardim, e a água no chão esparramava com cada passo, molhando a barra no meu jeans conforme eu me aproximava da casa. Não fugiu da minha atenção que o Volvo de Justin estava ausente da entrada dos Bieber.

Eu bati alto na porta, esperei cinco segundos, e então bati alto novamente. Meus dentes ainda estavam batendo violentamente quando finalmente abriu. Pisquei os pingos de chuva dos meus cílios, segurando a jaqueta de couro mais forte, ignorando as vozes de repente chamando meu nome do outro lado do jardim, e encontrei o olhar cansado e angustiado do Dr. Bieber.

Ele saiu do caminho sem dizer nada me deixando entrar, e então fechou a porta depois de mim com um baixo click, silenciando o rugido da chuva lá fora. Nós compartilhamos um breve olhar, e mesmo ele que abriu a boca, esta era facilmente a conversa mais longa que já tivemos. Seus olhos pesarosos falavam volumes nos meus.

Enquanto eu ficava parada, pingando e tremendo em na sua entrada iluminada, eu finalmente entendi que Dr. Bieber provavelmente amava Justin tanto quanto eu, e isso dizia muito. Eu acho que ele percebeu a mesma coisa porque seu olhar mudou para um de compreensão conforme ele considerava minha forma entorpecida e tremendo.

Nosso amor e preocupação mutuam por Justin nos fazia similar de uma forma que ninguém mais provavelmente poderia entender. Provavelmente foi por isso que ele não protestou quando me viu subindo as escadas para o quarto no terceiro andar – o mais perto de casa que eu poderia estar. Eu intuitivamente sabia que Bruce não me faria ir embora, e não importa o que Stela ou mais alguém dissesse sobre isso, eu não iria embora até que Justin estivesse em casa também.




✿ Eu ✿

✿ Eu ✿
Virginiana paulista e belieber de 17 anos que adora escrever, ler, assistir series, filmes e de ouvir Justin Bieber ♥

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